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sexta-feira, 13 de maio de 2011

1ª CRÔNICA: Antes de levantar

      

     'As paredes do quarto são caramelo', ela pensou. Poderia pensar que as paredes eram amarelo velho, branco sujo, mas preferiu pensar em um doce que também pode significar uma cor. Depois, seus pensamentos foram vagando mais longe e pensou sobre  há quanto tempo fazia aquilo. Transformava tudo numa fantasia doce, um melado. Sentiu-se feliz por ter consciência do que fazia, assim não seria a Macabéa de sua época, mais uma das muitas. Era difícil ver a parede velha, descascando. O espelho distorcido, não a imagem.
      Era hora de despertar, ela ouvia o vento do inverno chegando depressa. As crianças já estavam indo pra escola, podia ouvir o barulho de sua gritaria na rua, mesmo sendo ainda tão cedo, malefícios de se morar na periferia, mas pelo menos, sabia que era hora de levantar. Logo seu amigo estaria  gritando no portão, batendo o estojo de lata amassado.
     Percebeu que não queria de maneira alguma se mexer debaixo das cobertas, embora estivesse 'de barriga pra cima', pronta para levantar. Ouviu as árvores balançando lá fora, as folhas batendo, fazendo um ruído de paz. Lembrou-se do ano passado na escola, um dia em que sua amiga descreveu uma manhã e ela pode fazer um quadro mental. Descreveu assim:
    -  Eu estava deitada ainda, o Sol entrou pelas frestras da janela irradiando nos meus olhos. Como eu estava com os olhos fechados, vi uma sombra vermelha, então fui abrindo os olhos devagar. Depois, eu ouví o som do vento fazendo as folhas das árvores balançarem. Eu me sentí tão bem, tão grata, satisfeita mesmo de poder.... não ria disso.... de estar viva pra sentir o Sol do começo da manhã.
      Ela não riria. Na verdade, ela pensou como aquela descrição, algum dia, ficaria bem em um livro, talvez em uma crônica.
     Era hora de levantar.



Naiane Julie

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