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quinta-feira, 3 de março de 2011

(Des)filosofias I: Filhos da solidão



Em parte, concordo com a solidão que Schopenhauer pregava ("O homem é feliz quando consegue evitar a maioria de seus semelhantes"), Gosto de ficar apenas comigo algumas vezes. Mas esse estar sozinha é sempre acompanhado de uma sensação inata, um desejo de ter alguém para compartilhar o livro novo que lí, alguma música nova que conhecí. Muitas vezes, minha mente quer ficar quieta, em silêncio, mas meu impulso é procurar alguém para conversar, para destituir todos os rigores que a mente sozinha cria, esses rigores são os filhos da solidão.
E existe ainda, o que chamamos de amor. Uma pessoa mais importante que todas as pessoas do mundo. A necessidade de uma única pessoa é angustiante, é a eterna divisão de nossa alma, se pudéssemos nos livrar dessa força sobre-humana assim faríamos. Bom, Schopenhauer disse que esse é o segredo da felicidade. Será?
Eu só sei que o que está em nosso caminho é nossa mente. O nosso corpo está à mercê de nossos frágeis pensamentos. Se nos entristecemos, nosso corpo mostra olheiras, perde o vigor, expressa nossas mágoas, exteriorizando- as. Mas não acredito na solidão como a fonte de felicidade. É difícil equilibrar nosso contato com os outros, mas mais difícil é não ter alguém com quem possamos dissuadir, compartilhar, ganhar, perder... Por isso, o equilíbrio da mente, este sim, é o gerador de felicidade.
Eu sei, (des)filosofando estou na verdade expondo uma das muitas visões filosóficas existentes. Mas quis ser corajosa, discordar e concordar é trabalho de reflexão.

Naiane Julie


É interssante que, além da vida real, o homem sempre tem uma segunda vida abstrata, em que, com calma deliberação, o que antes o deixava nervoso e irritado parece frio, sem graça e distante: ele é mero expectador e observador. (Schopenhauer)


3 comentários:

  1. "O homem é feliz quando consegue evitar a maioria de seus semelhantes"

    - Isso é tão forte

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  2. Penso que todos nós desejamos adentemente uma solidão dividida...
    Todos precisamos de uma testemunha...

    "Em um mundo que existe tantas pessoas se sentindo sozinhas seria extremamente egoísta ser solitário sozinho"

    Beijo grande e ótimo carnaval!

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  3. Não nasci para a solidão, mas concordo que o recolhimento é exercício necessário para a reflexão a auto-entendimento. Dividir é parte natural das nossas vidas, aprendemos isso desde sempre. O difícil é prender, segurar informações, saber criar limites para a boca e o coração. Queremos expôr demais nossas felicidades, nossas tristezas. Às vezes tomo a mim, e aos meus amigos, como outdoors sentimentais, que brilham a ponto de ofuscar ou se apagam à medida que o humor muda.


    Um texto delicioso o seu.
    Beijo.

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