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domingo, 9 de janeiro de 2011

O cheiro do passado



Ela pegou as malas e disse:
- Até!
Ele sentou na cadeira sem olhar pro lado
bebeu café

Ele olhou para a foto na estante
Mas já não existia fé
Ela andava pela casa um tanto sem rumo
bebia café

Ele ignorou os sinais vermelhos
Queria ver logo a maré
Ela lia um livro sentada na cama
Bebia café

Ela lembrou o passado
quando sentou- se no canapé
Jogou gasolina e pôs fogo
Olhando pras chamas tomava café

Ele rasgava as cartas antigas
dizendo pra si: "ou é ou não é"
Mas o passado estava no copo
no cheiro inquieto do seu café

Não entendia a palavra
"Por que não adeus? Por que um até?!"
Ela sabia a dor da pronúncia
No mesmo momento,
Bebiam café.


Naiane

3 comentários:

  1. Um até é muito mais doloroso.
    Eu acho.

    Porque dá a esperança, cria um talvez no que deveria ser um adeus.

    Doído esse poema, muito bonito.

    Beijo, linda.

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  2. awn, café *-------------*

    beijas, moça :*

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  3. Às vezes, eu não sei o que é pior. A desilusão por inteira do adeus, ou a esperença parcialmente corrompida pelo Até =/
    Acho que ambos são tristes;

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