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sábado, 29 de janeiro de 2011

Entre tesouros e escombros: Liberdade (Parte I)

 
Quando nos sentimos livres não significa que estamos vivendo em liberdade. Às vezes, nosso corpo está livre e nossa alma presa. Outras vezes, nossa mente está livre quando nosso emocional tolera o aprisionamento. E é assim quando deixamos que tudo domine, quando permitimos que todas as nossas vertentes que gritam por expressão tenham espaço.
 Sem querer, podemos nos ver debaixo da lei de alguém - que julgamos amar- de maneira inegociável. Talvez pela sensação de culpa, como se não conseguíssemos fazer todo o bem que essa pessoa espera, como responsáveis pela sua felicidade.
E existem formas mais sutis ainda - como sensações/ sentimentos (?) - que nos controlam absolutamente antes mesmo de as conhecermos, entendermos, experenciarmos o suficiente. E é claro que alguns não criam imunidade nunca.

E toda essa massa etérea nos priva , nos rouba a chamada liberdade- no amor. E nossa maior dificuldade é dosar até aonde essa liberdade recolhida vale o preço de ser tomada.

É justo quando aprendemos algumas lições sobre liberdade que a vida nos detém na vontade de ser livres. Essa vontade é a própria prisão.



Verão de 2011
Naiane Julie

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Não me decepcione


Dont' let me down dos Beatles na versão da banda Stereophonics merece respeito. Excelente!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

DIA D



Hoje é um dia D, o meu Dia D. É o início do fim de uma guerra.
Marco da existência que tem um significado: o resgate da essência da alma.
Eu procuro significados.
O dia D é dia de ouvir músicas lentas, de ler estórias que doem, de exercer talentos para tudo que atinge o âmago.
Deve ser este o significado da Arte.
É assim que os escritores vivem... todos os seus dias, são dias D.
Ainda sou amadora. Só posso decidir manter as fagulhas incandescentes acesas,
 indesatável é o nó da vida.

Naiane Julie

domingo, 9 de janeiro de 2011

O cheiro do passado



Ela pegou as malas e disse:
- Até!
Ele sentou na cadeira sem olhar pro lado
bebeu café

Ele olhou para a foto na estante
Mas já não existia fé
Ela andava pela casa um tanto sem rumo
bebia café

Ele ignorou os sinais vermelhos
Queria ver logo a maré
Ela lia um livro sentada na cama
Bebia café

Ela lembrou o passado
quando sentou- se no canapé
Jogou gasolina e pôs fogo
Olhando pras chamas tomava café

Ele rasgava as cartas antigas
dizendo pra si: "ou é ou não é"
Mas o passado estava no copo
no cheiro inquieto do seu café

Não entendia a palavra
"Por que não adeus? Por que um até?!"
Ela sabia a dor da pronúncia
No mesmo momento,
Bebiam café.


Naiane

sábado, 8 de janeiro de 2011

DIVINO SEGREDO

                          

Era um dia de chuva. Como os dias de chuva são, ela tinha esquecido. Quase sempre esquecia de propósito como era cada dia. Assim, ele poderia ser sempre novo. Mas esquecer exigia um embate constante de energia canalizada aos afazeres prazerosos que reclamavam concentração. Por isso, - e por alguns motivos mais- ela lia. De preferência, uma estória que, independente de acrescentar algo à gramática, história ou matérias afins, fosse impactante o suficiente, exigisse absorção mental daquelas páginas. Depois de algum tempo, ler não era mais suficiente. O Sol começou a ser todos os dias uma estrela que servia para aquecer os seres humanos. Da janela do quarto por alguns dias ela via - quando as frestas permitiam a entrada da luz- e sabia: não poderia suportar lembrar- se como foi o dia anterior e igualá- lo. Então, pegou o caderno rabiscado da escola, assinado pelos colegas contra sua vontade, desenhado pelo amigo talentoso um rosto qualquer na contracapa. Abriu na última folha e escreveu uma linha segurando a caneta tênue na mão. Depois de três linhas, já segurava resoluta, a caneta. As palavras saíam como um sopro, quase imperceptível, falava- as baixinho enquanto escrevia.

Ela nunca mais parou. E os dias passaram a ser definitivamente, diferentes. Divino segredo.
 

Naiane Julie