Veja também O mundo inteiro em:
http://naiane-julie2.blogspot.com

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Reminiscência


google imagens

Roteiro, minha memória
construindo tramas
Invade o labirinto de um sonho
na alegria da comédia
na realidade de um drama
Desde que seja na hora improvável
sentido inefável
amador que clama.
O que importa é criar
manejando tantas imagens
Sempre à espera do próximo passo
o ato mágico, a próxima cena.
A mais inquieta, melhor escrevo
nas costas e depois no avesso
feito o suspense que virou endereço
site e blog, revista e livro.
Num sobressalto, de olhos fechados
no asfalto, na terra
na serra, no mato
onde houver um céu estrelado
e lembranças longínquas
do sonho de um sonho
do passado...



(Obrigada pela ideia do título!)
Naiane Julie

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tanta imensidão



Eu me estribava na sua força e hoje,
depois do pesadelo da noite
sem ainda oportunidade de contar para alguém
sinto falta de ir até sua casa e sair de lá
sem minhas malas
sem minhas roupas desdobradas
e os monstros.
Não que os deixasse com você
apenas desapareciam...

Você disse que eu sou forte
eu sei que em alguns sentidos
mas sempre foi você a dona das respostas
pelo menos das que eu precisava ouvir em meio
ao realismo e a verdade.

E agora, às vezes,
as respostas vem à noite me acordar
são como a margem do Rio
em meio a tanta imensidão.
Em meio a vida
eu estou sempre começando....


Naiane Julie
Inverno de 2011

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Embaixo da nossa janela


Coloca-me para dormir
embaixo da nossa janela
com vista pro mundo.

Coloca minha cabeça no travesseiro
e sonolenta, eu juro que esqueço
dos discos e livros ... e tudo.

Embala meus devaneios
perplexos.
Pois dentro deles sempre estará
seu rosto dizendo
que embaixo da nossa janela
-enquanto o Sol ainda brilha-
Há sonhos.



Naiane Julie
Inverno 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

O segredo de um Sim!



Eu disse sim pra pergunta
que você não tinha feito
eu dizia sim pra mim,
Era noite e véspera de algo,
sabe-se lá de qual feriado
de tantos e todos nostálgicos,
algo além dos feriados era
mais nostálgico que o meu Sim,
dito pra mim.
Era a vez do Não
na utopia da independência
 que em minha mente jorrava
de ideias de glórias individuais,
eu estava  à beira do medo,
cada letra saindo sonoramente
lenta, impactante no meu próprio
cérebro, era um Sim.
Depois de olhar em volta e ver montanhas,
ouvi minha própria voz voltando de longe
como um eco de lembranças,
e todo o resultado do meu sim,
entrelaçado na palavra,
todas as vozes, todos os discursos
todas as pessoas, todos os lugares...

Era manhã de domingo
e a única coisa em que pensei
durante todo o dia
foi no sonho misterioso da noite.

O segredo de um Sim! eu aprendí
de um sonho.
O segredo é o resultado
de um risco,
alto sonora e vivamente.

Naiane Julie

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Fuga da liberdade

 
google imagens

                Incrível nestes poucos anos que já viví, são as constantes descobertas sobre liberdade. Cada dia que passa, percebo a complexidade do que chamamos de liberdade. É inegável o desejo de liberdade que se traduz muito bem quando os poetas escrevem sobre o delírio, poetas que concebem em seus momentos de escape, verso e prosa. E nós continuamos desejando ser livres, a ideia de fugir é sempre bem vinda. Então, tiramos férias, um meio socialmente aceito. Mas, e quando o desejo por liberdade se torna constante demais e passa a nos cutucar antes de dormir? Neste ponto podemos pensar sobre o que Veríssimo escreveu "a gente foge da solidão quando tem medo dos próprios pensamentos".  Estive procurando a liberdade por um certo tempo em lugares diversos, em uma pessoa, em uma causa, em uma ideologia. E a liberdade mostra-se nascente cada dia mais em um lugar diferente de todos estes.... esse lugar é a minha solidão. Não a solidão ruím que nos vem a mente quando falamos em solidão. Mas aquela que significa a produção de pensamentos autoconstrutivos, é preciso relembrar em que alicerces estamos fundados.
          Sartre disse que 'somos livres para sermos qualquer coisa, exceto não livres, estamos condenados à liberdade'. Por isso, em situações difíceis, talvez em que erramos, é preciso encontrar um culpado, não compreendemos bem a grandiosidade da liberdade que temos para Ser e Fazer. A verdade é que fugimos constantemente da liberdade, enquanto estamos a procurando desenfreadamente.
          Não me canso de pensar em como construir minha liberdade no meio de tanta falsa liberdade.

Naiane Julie

A porta sempre aberta *

                          

         Segredos são como portas de entrada para a alma do outro. Conhecimento dos seus medos, angústias e sonhos, mas não apenas isto, são também o conhecimento de um universo paralelo único e amplo.Uma parte de nós é oferecida, sem sabermos muito bem como será processsada e o que será feito com aquela confissão.
             Não existem formas de apagar seus segredos de mim, nem meus segredos de você. Se apenas nos olhamos não é preciso dizer qualquer coisa. Existe um segredo beirando o espaço entre a distância da ausência e a tristeza do cansaço. O cansaço é um segredo. Só você, Deus e eu sabemos, quantos segredos existem dos anos de desabafos.
             Por isso, os segredos são portas. Você sabe que a pessoa sabe, ela saber a transforma em mais que um amigo, a transforma na confiança intrínseca de um saber consumado e irrevogável. Não lembro-me sempre dos seus segredos, os segredos mudam muito com o passar do tempo, mas são a memória mais viva do que fomos, ou ainda somos, talvez a base para o que seremos. Tudo isso significa saber a origem, saber a essência, a partir do que nos tornamos o que somos hoje, se conseguimos ou não usar para o bem todo o mal.
             Você sabe.... e eu sei.....

Naiane Julie

*Dedicado

segunda-feira, 11 de julho de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pedidos da noite


Se de repente eu começar a levantar às três da manhã para escrever num caderno as peripécias dos sonhos da vida real, significa que eu estou, e sou, naquele momento, minha fragrância idiomática e sintética.
- Faz meus pesadelos virarem poesia, papel.
- Faz meus sonhos encantados de escuridão virarem páginas inteiras, de vontade inserida em versos.
A vontade que induz qualquer mão...
Não sou apenas eu que peço, é a noite, ela escurece para algo renascer de manhã.


Naiane Julie
Outono 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011


Para você que melhor se enquadra nesta poesia, melhor do que qualquer pessoa que já conhecí. Se você ainda a tem presa no quadro de fotos do seu quarto, é porque sabe que é verossímil o que estou falando.
Eu tenho muito o que lembrar...


CANTO CIGANO

Seus cabelos,
Balançavam com o vento.
Ela dançava,
Dançava de dia,
Dançava de tarde,
Dançava à noite.
À noite,
Enquanto os archotes brilhavam,
E punham nela muitos fulgores,
Ela sorria e sorria...

Para quem sorria?
Para ninguém.
Bastava, para ela,
Sorrir para si mesma.
Sorria...
Sufocando o pranto,
Que lhe inundava a alma.
Porque, se ela chorasse,
Todos choravam também.

E ela tinha que sorrir,
Cantar,
Dançar.
Bailando,
Como baila o vento,
Cantando,
Como cantam as aves,
Só, tão só...

E, no entanto, dona absoluta,
De todos os olhares,
De todas as mentes,
Que estavam ali.
Cada um achando,
Que era para eles que ela sorria,
Quando, na verdade,
Ela não sorria para ninguém,
Ela sorria para si mesma.

O tempo passou...
E, no vento tão forte,
Que muda a vida,
Mudando as pessoas de lugar,
Daqui para acolá.

Um dia,
Ela deixou de dançar,
Mas não deixou de cantar.
Mesmo na solidão dos pinheiros gelados,
Fazia, com os rouxinóis,
Um dueto encantado.

O rouxinol cantava de tristeza,
Ela cantava de saudade,
De dor...

Por onde andará?
Como estará a terra dos meus amores?
Aonde estarão aqueles,
Que pisam, firme, o chão?
Aonde estará o meu povo?
Será que estão como eu...
Na solidão?

Canta, cigana,
Canta...
Deixa que o vento da vida te carregue,
Que a brisa te abrace
E que as folhas te teçam arpejos,
Nos ninhos dos pássaros.

A solidão nos faz
Aprender a viver,
Dentro de nós,
Num castelo encantado.

Onde se é possível,
Chorar sozinha
E rir, feliz,
Para todos os passantes,
Caminhantes,
Andantes de muitas terras,
De muitos sonhos,
De muitas estradas.

Deixa voar,
O seu sonho de paz,
Porque, um dia, você terá.

Não chore,
Não chore, cigana,
Cante.
Porque, mesmo sem cantar,
Você encanta.
E, mesmo chorando,
Você sorri.

Deixa o tempo passar,
Deixa as folhas voar,
Voar...
Porque, um dia,
Paz você terá!

   
Cecília Meireles

sábado, 14 de maio de 2011

Sonho

        

         Os sonhos sempre foram muito intensos na minha vida. E quando falo em sonho neste momento é do sonho que se tem quando estamos dormindo, involuntários até certo ponto e incontroláveis. Esses instáveis.
        Pesquisei. E nos dias em que lia sobre o assunto, à noite sonhava com uma corda gigante com a qual laçava nuvens, mas elas tinham mais força e me arrastavam. Depois disso resolví fazer com meus sonhos o que faço com o que me excede: escrever.
        Já descreví alguns deles em pequenos trechos e estão sempre lá em uma ou outra nota de um texto. Mas descrevo integralmente poucos. Tento extrair deles o sentido poético que porventura consiga compreender. Já tive muitas vezes a impressão, especialmente quando consigo lembrar-me com clareza deles, que não são meus. Como se todos os sonhos tivessem um lugar só deles, e todos eles pertencessem a todas as pessoas, como se fosse essa mais uma das formas de nos ligarmos enquanto humanos e iguais.
        É assim também quando sonho com você. E ainda acordo com a sensação de que tivemos o mesmo sonho no mesmo momento, aparentemente ilógico, mas eu sinto.
        Escrevo como leigo da mente humana, de todas as respostas já encontradas. Mas a poesia como dominio para além do conhecimento científico foi a forma subjetiva que escolhí dessa vez.
       Eles são meu movimento sísmico da energia que origina a matéria, ilustração da força involuntária, organização molecular das farpas mágicas.....
.... Ah! Eu sonho, logo existo.


Naiane Julie
Outono 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

1ª CRÔNICA: Antes de levantar

      

     'As paredes do quarto são caramelo', ela pensou. Poderia pensar que as paredes eram amarelo velho, branco sujo, mas preferiu pensar em um doce que também pode significar uma cor. Depois, seus pensamentos foram vagando mais longe e pensou sobre  há quanto tempo fazia aquilo. Transformava tudo numa fantasia doce, um melado. Sentiu-se feliz por ter consciência do que fazia, assim não seria a Macabéa de sua época, mais uma das muitas. Era difícil ver a parede velha, descascando. O espelho distorcido, não a imagem.
      Era hora de despertar, ela ouvia o vento do inverno chegando depressa. As crianças já estavam indo pra escola, podia ouvir o barulho de sua gritaria na rua, mesmo sendo ainda tão cedo, malefícios de se morar na periferia, mas pelo menos, sabia que era hora de levantar. Logo seu amigo estaria  gritando no portão, batendo o estojo de lata amassado.
     Percebeu que não queria de maneira alguma se mexer debaixo das cobertas, embora estivesse 'de barriga pra cima', pronta para levantar. Ouviu as árvores balançando lá fora, as folhas batendo, fazendo um ruído de paz. Lembrou-se do ano passado na escola, um dia em que sua amiga descreveu uma manhã e ela pode fazer um quadro mental. Descreveu assim:
    -  Eu estava deitada ainda, o Sol entrou pelas frestras da janela irradiando nos meus olhos. Como eu estava com os olhos fechados, vi uma sombra vermelha, então fui abrindo os olhos devagar. Depois, eu ouví o som do vento fazendo as folhas das árvores balançarem. Eu me sentí tão bem, tão grata, satisfeita mesmo de poder.... não ria disso.... de estar viva pra sentir o Sol do começo da manhã.
      Ela não riria. Na verdade, ela pensou como aquela descrição, algum dia, ficaria bem em um livro, talvez em uma crônica.
     Era hora de levantar.



Naiane Julie

segunda-feira, 28 de março de 2011

Eu sou, eu quero ser


        
               Uma das maiores dificuldades da vida é sermos honestos. É entender nossas limitações e, a partir delas, tentar melhorar. Com frequência fazemos bem diferente disso. Mentimos para nós sorrateiramente, furtivos como um gato, algumas vezes por não saber qual é de fato nossa vontade, outras vezes para agradar alguém, ainda outras apenas para fantasiar que a vida e que nós somos exatamente como gostaríamos de ser.
                 O grande problema é que um dia, a máscara, grande ou pequena, cai. Nossas estruturas frágeis não suportam a pressão de uma negativa sobre nós mesmos. Colocamos em cheque nossa existência, culpamos Deus, culpamos nossos pais, qualquer um que tenha nos influenciado.
              Ser precipitado é um erro, ser demasiado calmo é esquivar- se, tudo bem, a vida não é muito fácil. Mas partindo de uma aceitação, de uma honestidade, ela começa a entrar nos eixos.
              Dá para sonhar, dá para ser feliz, mas não dá para esperar que a vida nos dê a felicidade numa bandeja, ou que alguém faça isso.
              'Quero pensar mais antes de falar', 'quero aceitar- me bem mais', 'quero assumir tudo que faço e, fazer coisas que sejam fáceis de assumir'.
              Definitivamente, é dessa maneira que quero ser, mas..... é assim que eu sou?


Naiane Julie
Outono de 2011

domingo, 27 de março de 2011

Tudo que eu não fui

               

             Depois de uma longa jornada ao vácuo de pensamentos, encontrei um lugar novo, um lugar aonde tudo tem uma razão. Pelo menos, este teu estado inerte, parece ter uma razão. Diria que ela é sólida, apesar de torta. E diria que ela é o pulo da janela. É assim que sempre se sentiu: vendo a vida passar pela janela. Eu bloqueei algumas tristezas, de modo que elas no momento não estão chegando cortantes. Só cortam quando eu lembro de 10 anos atrás, quando ainda tínhamos planos, que é óbvio, a única coisa para que serviam era para dar asas a falta que sentíamos. Falta do quê eu ainda não descobri completamente, mas sei que tem a ver com o próprio sentido de nossas vidas, essa necessidade de elevar a alma, uma necessidade perigosa, enérgica, inegável. Às vezes, eu escrevo pensando em como a vida é torta, outras vezes eu escrevo pensando em como a vida é mágica, mas eu sei que todas as vezes eu escrevo procurando... Buscando isso que você pulou pela janela para descobrir. Mas tenho medo por você agora, de que as respostas estejam ao olhar-se no espelho...

Existe uma frase que diz que 'a saudade que sinto das pessoas que foram é por tudo que elas não foram'*. Na verdade, acho que não aproveitei sua companhia e que eu não fui a pessoa que gostaria de ter sido para você.  Eu dei pouco e gostaria de não ter que mensurar o tempo para oferecer mais amizade, por que sei que esta á uma das melhores coisas da vida, é uma das poucas coisas que realmente duram pra sempre.  Neste momento escrevendo continuo procurando.. e agora... terei que procurar sozinha.....


*Tati Bernardi

Naiane Julie
Outono de 2011

sábado, 26 de março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

PACIÊNCIA III


Uma pessoa inquieta nunca deixa de ser inquieta. Os momentos de paz completa é que são intermitentes, e terminam com dor de cabeça ou falta de ar, ar puro, um que a inquietude traz. Calmamente a respiração fica lenta, o mundo transborda no impasse de um passo realizado, dado por alguém paciente, que eu não sou.
Depois, me falam para sentar em frente a janela e ver com calma a vida acontecendo lá fora. Não há nada que me dexe mais inquieta. Todas as vidas parecem minhas, deixo de espectar. Meu mundo se transforma num pedaço resumido de vida e à essa altura já estou na rua, é assim que se tem pressa para pegar o trem das cinco. De novo a mesma ânsia, do novo, quente, da perplexidade. Não há como negar que esse alguém que está em mim também sou eu.

"Escrever é poesia, é dar corda para a inquietação".  (Alberto Martins)

quinta-feira, 3 de março de 2011

(Des)filosofias I: Filhos da solidão



Em parte, concordo com a solidão que Schopenhauer pregava ("O homem é feliz quando consegue evitar a maioria de seus semelhantes"), Gosto de ficar apenas comigo algumas vezes. Mas esse estar sozinha é sempre acompanhado de uma sensação inata, um desejo de ter alguém para compartilhar o livro novo que lí, alguma música nova que conhecí. Muitas vezes, minha mente quer ficar quieta, em silêncio, mas meu impulso é procurar alguém para conversar, para destituir todos os rigores que a mente sozinha cria, esses rigores são os filhos da solidão.
E existe ainda, o que chamamos de amor. Uma pessoa mais importante que todas as pessoas do mundo. A necessidade de uma única pessoa é angustiante, é a eterna divisão de nossa alma, se pudéssemos nos livrar dessa força sobre-humana assim faríamos. Bom, Schopenhauer disse que esse é o segredo da felicidade. Será?
Eu só sei que o que está em nosso caminho é nossa mente. O nosso corpo está à mercê de nossos frágeis pensamentos. Se nos entristecemos, nosso corpo mostra olheiras, perde o vigor, expressa nossas mágoas, exteriorizando- as. Mas não acredito na solidão como a fonte de felicidade. É difícil equilibrar nosso contato com os outros, mas mais difícil é não ter alguém com quem possamos dissuadir, compartilhar, ganhar, perder... Por isso, o equilíbrio da mente, este sim, é o gerador de felicidade.
Eu sei, (des)filosofando estou na verdade expondo uma das muitas visões filosóficas existentes. Mas quis ser corajosa, discordar e concordar é trabalho de reflexão.

Naiane Julie


É interssante que, além da vida real, o homem sempre tem uma segunda vida abstrata, em que, com calma deliberação, o que antes o deixava nervoso e irritado parece frio, sem graça e distante: ele é mero expectador e observador. (Schopenhauer)


terça-feira, 1 de março de 2011

Cartas na manga

Devoramos a vida ou ela nos devora. Ousamos ser mágicos ou a magia que emerge de cada esperança nos consome. É o outro lado que está ligado a versão cósmica dos problemas. No geral, é necessário cartas na manga. É possível resumir bem a vida assim, não que não seja grande, é que não vivemos para o grande, estamos sempre em busca da insignificância. Depois, quem ganha uma partida é chamado de vencedor. Para mim, vencedor é quem sai vivo da guerra.. quem não esquece o pára- quedas...


Naiane Julie

"Vida louca Vida
Vida breve
Já que eu não poso te levar
quero que você me leve.."
(Cazuza)


"..Você pode até me empurrar de um
penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!.."
(Clarice Lispector)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Solidão


Ela disse um turbilhão de palavras e no final a frase: "Eu quero apenas ser acolhida, ser notada, ser amada". Foi nesse momento que descobrí o motivo de muitos reinos terem sido destruídos pela 'simples' busca de afeto, de amor. Isso acontece quando não somos suficientes sozinhos... e como isso seria possível?
Ao menos admitir que somos fracos nos torna mais fortes, conhecedores de nós e de nossa natureza.
Talvez conhecer a solidão evite que ela nos devore.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Incongruência?


Meu pior defeito é fugir da vida quando ela apresenta - se demasiado humana. Tento deixá- la poética mesmo quando existe instinto, dor, sensações significativas em nosso universo individual/ humano.
Ao mesmo tempo, ver os outros em sua natureza humana dá sentido a minha vida.
Incongruência?
Não!
Apenas espero mais dos seres humanos. Mais que a pura lástima de não ter o domínio - em primeiro lugar- sobre si, depois, de sentir seu domínio e influência ao caminhar com a humanidade. Mas não qualquer domínio, e sim um que valha Ser humano. Quando lembro de nossa insignificância, a vida parece mais plena. Apenas não acho justo respaldarmos nossas atitudes incorretas no fato de sermos seres que erram. Também somos seres conscientes.


Naiane Julie
Verão de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ego(não)centrismo


No geral estou feliz, pela vida...
Mas sei que tenho direito de revoltar- me algumas vezes. Nestes dias insólitos, não olho para o céu na melhor hora do dia, nem olho para mim em alguns minutos do dia. Não quero a sociável razão da figura que posto- algumas olheiras, um nome, uma história-. Se eu fizer isso, a subversão esvai, porque 'sou meu próprio líder'.
Por isso, mantenho a rigidez momentânea... assim, sinto- me pouco EU enquanto sinto muito TUDO.


Naiane Julie
Verão 2011

sábado, 29 de janeiro de 2011

Entre tesouros e escombros: Liberdade (Parte I)

 
Quando nos sentimos livres não significa que estamos vivendo em liberdade. Às vezes, nosso corpo está livre e nossa alma presa. Outras vezes, nossa mente está livre quando nosso emocional tolera o aprisionamento. E é assim quando deixamos que tudo domine, quando permitimos que todas as nossas vertentes que gritam por expressão tenham espaço.
 Sem querer, podemos nos ver debaixo da lei de alguém - que julgamos amar- de maneira inegociável. Talvez pela sensação de culpa, como se não conseguíssemos fazer todo o bem que essa pessoa espera, como responsáveis pela sua felicidade.
E existem formas mais sutis ainda - como sensações/ sentimentos (?) - que nos controlam absolutamente antes mesmo de as conhecermos, entendermos, experenciarmos o suficiente. E é claro que alguns não criam imunidade nunca.

E toda essa massa etérea nos priva , nos rouba a chamada liberdade- no amor. E nossa maior dificuldade é dosar até aonde essa liberdade recolhida vale o preço de ser tomada.

É justo quando aprendemos algumas lições sobre liberdade que a vida nos detém na vontade de ser livres. Essa vontade é a própria prisão.



Verão de 2011
Naiane Julie

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Não me decepcione


Dont' let me down dos Beatles na versão da banda Stereophonics merece respeito. Excelente!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

DIA D



Hoje é um dia D, o meu Dia D. É o início do fim de uma guerra.
Marco da existência que tem um significado: o resgate da essência da alma.
Eu procuro significados.
O dia D é dia de ouvir músicas lentas, de ler estórias que doem, de exercer talentos para tudo que atinge o âmago.
Deve ser este o significado da Arte.
É assim que os escritores vivem... todos os seus dias, são dias D.
Ainda sou amadora. Só posso decidir manter as fagulhas incandescentes acesas,
 indesatável é o nó da vida.

Naiane Julie

domingo, 9 de janeiro de 2011

O cheiro do passado



Ela pegou as malas e disse:
- Até!
Ele sentou na cadeira sem olhar pro lado
bebeu café

Ele olhou para a foto na estante
Mas já não existia fé
Ela andava pela casa um tanto sem rumo
bebia café

Ele ignorou os sinais vermelhos
Queria ver logo a maré
Ela lia um livro sentada na cama
Bebia café

Ela lembrou o passado
quando sentou- se no canapé
Jogou gasolina e pôs fogo
Olhando pras chamas tomava café

Ele rasgava as cartas antigas
dizendo pra si: "ou é ou não é"
Mas o passado estava no copo
no cheiro inquieto do seu café

Não entendia a palavra
"Por que não adeus? Por que um até?!"
Ela sabia a dor da pronúncia
No mesmo momento,
Bebiam café.


Naiane

sábado, 8 de janeiro de 2011

DIVINO SEGREDO

                          

Era um dia de chuva. Como os dias de chuva são, ela tinha esquecido. Quase sempre esquecia de propósito como era cada dia. Assim, ele poderia ser sempre novo. Mas esquecer exigia um embate constante de energia canalizada aos afazeres prazerosos que reclamavam concentração. Por isso, - e por alguns motivos mais- ela lia. De preferência, uma estória que, independente de acrescentar algo à gramática, história ou matérias afins, fosse impactante o suficiente, exigisse absorção mental daquelas páginas. Depois de algum tempo, ler não era mais suficiente. O Sol começou a ser todos os dias uma estrela que servia para aquecer os seres humanos. Da janela do quarto por alguns dias ela via - quando as frestas permitiam a entrada da luz- e sabia: não poderia suportar lembrar- se como foi o dia anterior e igualá- lo. Então, pegou o caderno rabiscado da escola, assinado pelos colegas contra sua vontade, desenhado pelo amigo talentoso um rosto qualquer na contracapa. Abriu na última folha e escreveu uma linha segurando a caneta tênue na mão. Depois de três linhas, já segurava resoluta, a caneta. As palavras saíam como um sopro, quase imperceptível, falava- as baixinho enquanto escrevia.

Ela nunca mais parou. E os dias passaram a ser definitivamente, diferentes. Divino segredo.
 

Naiane Julie