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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Trecho

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"Viver de morte, morrer de vida" (Heráclito)

Trato de desmistificar todas as ausências dos momentos que nunca vivi, dos seres que sou e os que fui capaz de matar para que outro pudesse viver.
Deixo- me viver! Mas a vida é inerente à morte, e esta última precisa ser constante, para que a vida possa a sobrepor.
Todo acúmulo dos fragmentos, fios pequenos, finos, escassos vestígios resquiciosos que transmutam meu ser imperfeito, pequeno, transbordante na busca da plenitude, apenas de sentir, que seja por mínimas vezes, aquilo que não tem, que não é. A inteireza, perfeição.
Somente a reversão constante, a volta, a ida, traz fôlego, pulsação, vida. Apenas o ato fanático e nada comum, de transpor a alma em um inanimado papel ignorante, silencioso. E que ele grite! E que ele urre! Que ele me fale o que eu preciso desconhecer para entender. Que ele me bata, que me flagele, confunda, distorça, me quebre em mil. Porque depois haverá toque, do ser interno que pulula rompendo meu peito, com o exterior, um mundo ingrato, mas como eu, imperfeito.

[...]

Naiane Julie

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