Veja também O mundo inteiro em:
http://naiane-julie2.blogspot.com

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo" (Pessoa)

Estou reunindo sonhos...
os mais diversos, loucos, simples, poderosos...
são mais diversos que os livros que quero ler.. são mais simples que sentir nas pontas dos dedos a pele de quem faz meu coração bater mais forte, mais loucos que inexistir numa ilha por uns meses, mais poderosos que a energia que movimenta as palavras ditas, pensadas, escritas..
São alvos. Porque os poetas precisam sentir dor para expressar- se?
Vamos reverter a órbita da loucura. E, quem sabe, a felicidade não esteja à espreita de quem sente (também alegria intensa), se revestindo com a alma.

Naiane Julie

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Não existe amor perfeito

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

(Clarice Lispector)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Razão

Tentei muitas vezes desaprender a ilusão. Essa profunda reviravolta no meu peito, que invade recônditos lugares, em que chega apenas essa espécie de ar subjetivo, esse mundo- sonho em que me agarro. Eu inspiro e me inspiro. Fecho os olhos e é tudo um milagre. O amor o maior deles. Se eu soubesse demonstrá- lo puro e intenso como o sinto!... Me disseram e acredito, a razão é sábia e forte. Meu esforço é agarrá- la, e eu me esforço, é preciso. Ela não dói, é independente, decisiva, é atitude. E apesar de sua força, eu escolho atenuá- la. Assim dói, me flexiono, exito e erro no não ou no sim. Mas, no final, com equilíbio, tenho da dor o melhor aprendizado; da flexibilidade, as melhores experiências; do exagero, as melhores emoções. Razão exista, mas não domine por completo os corações.

Naiane Julie

O Sonho (Parte I)

Quero a sua presença assim como quero um sonho
mas é tão próximo da realidade ter, sem medidas, seu abraço
que fico a acelerar a roda que movimenta nossos passos
a ampulheta que define, todo dia, esse espaço
são apenas formas sólidas, o que eu sinto é sem obstáculos.
É um sonho em que eu toco
é um sonho em que eu acordo
É o sonho que eu quero
sonhar acordada sem limites.

Naiane Julie

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Pra você guardei o amor

Eu me desconcentro. Finjo que é sem querer. Direciono todas as minhas idéias e planos, mas às vezes apenas vagueio sem pressa na sua imagem, sonhando acordada, acidentalmente motivada, com um sentimento que não cabe em mim e que quer se expandir. Me pego assim, escrevendo algumas palavras repetidas, mas que descrevem melhor que quaisquer outras, a dimensão da energia que me invade. Dizem que isso tudo é doce ilusão, quem sabe, mas não me importo, só quero me permitir sentir completamente, até me encher, me transbordar e, quando sobrar farei isso: escreverei.
E se de fato mudar de cor, sei que a essência ainda e sempre será lilás.

sábado, 12 de junho de 2010

As Horas

O tempo é um mistério inserido em minutos, horas, dias, anos. Como descreveria o tempo ao seu lado? Parece ser infinito e mesmo assim, o tempo diz... são horas. E o que são horas? A forma de impedir sua presença, a forma de mensurar a sua ausência, a forma disciplinar que inventamos para metódicos, transformar em palpável o que é trascedental? Ainda não compreendí ao certo... mas o tempo diz... são horas. E as horas nunca deixarão de existir, e eu, nunca deixarei de tentar compreender, quantas horas poderei roubar do tempo, quantas armadilhas usarei para enganá-lo, para usá-lo a meu favor. Vou implorar, desejar as horas, mas ignorá-las quando estiver ao seu lado. E já que "sempre haverá as horas", espero que sempre haja amor.


"Sempre havé os anos, o amor, as pessoas, as horas. E, é claro, sempre haverá mais." (The Hours)

Naiane Julie [12/06/2010- DEDICADO]

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Névoa

[[Início, sem continuidade até o momento]]

Enquanto o vento soprava embrutecido no jardim de casa e fazia as árvores dançarem na penumbra do início da noite, eu observava calmamente pela janela, fixada em cada vai- e- vem, em cada folha exígua que caía na terra seca. Meu pai me observava na porta da sala, eu sabia. Mas entendo apenas hoje porque ele ficava parado, quase imóvel, me examinando. Porque eu não me parecia com ele, também não lembrava em nada a mamãe. Eu era sobretudo, ele dizia, como "um sonho de uma noite de verão", que eu era a "própria poesia". Imagino que ele quisesse expressar minha abstração, profundidade, mas ele é que demonstrava sensibilidade em usar palavras tão delicadas. Eu tinha aflorada uma espécie de gratuidade, me doava sempre sem desejar nada em troca. Mas, quando ele se foi, isso mudou um pouco. Senti que tinham me roubado e não quis me doar mais. Aos doze anos meu intuito passou a ser encontrar em alguém a pessoa que eu perdí e poder lhe perguntar muitas coisas, porque ele sabia quem eu era mais do que eu.

[...??? a idéia está completa, só falta tempo para escrever- Arte x Tempo, Capitalismo x Arte......ahhhhhhhh]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Trecho

[...]
"Viver de morte, morrer de vida" (Heráclito)

Trato de desmistificar todas as ausências dos momentos que nunca vivi, dos seres que sou e os que fui capaz de matar para que outro pudesse viver.
Deixo- me viver! Mas a vida é inerente à morte, e esta última precisa ser constante, para que a vida possa a sobrepor.
Todo acúmulo dos fragmentos, fios pequenos, finos, escassos vestígios resquiciosos que transmutam meu ser imperfeito, pequeno, transbordante na busca da plenitude, apenas de sentir, que seja por mínimas vezes, aquilo que não tem, que não é. A inteireza, perfeição.
Somente a reversão constante, a volta, a ida, traz fôlego, pulsação, vida. Apenas o ato fanático e nada comum, de transpor a alma em um inanimado papel ignorante, silencioso. E que ele grite! E que ele urre! Que ele me fale o que eu preciso desconhecer para entender. Que ele me bata, que me flagele, confunda, distorça, me quebre em mil. Porque depois haverá toque, do ser interno que pulula rompendo meu peito, com o exterior, um mundo ingrato, mas como eu, imperfeito.

[...]

Naiane Julie

A HISTÓRIA DE UM SONHO (Trecho)


[...]

Ele entendeu. Vendo- a rebaixada pela natureza simplória e mortal mas tão reerguida pela transcendência de seu ser, tudo ficou claro. Ainda conversavam.
- Vê as cadeiras? Meus pais vieram me visitar hoje. Estão na cidade. Pedi que fossem dar uma volta para conversarmos. Eles te conhecem Benjamin, conhecem muito bem.
- Existe algo em você que não resista? – Ele olhava para baixo quando interrompeu a conversa.
- Não estou resistindo, Benjamin. Não compreende porque não está em meu lugar. Não consigo sentir mais a tristeza que pensas que deveria sentir, eu já a ultrapassei. Mas não pense que lutei contra ela. Não. O processo foi natural. E veja, eu conheci você, basta para mim.
- Para mim não.
- Não deixes a arte confundir- te com ansiedade. Ser muito não significa conseguir demonstrar tudo numa vida. Entende a contradição? Querer expandir o tempo é um erro. Sinta- o, é só o que de melhor podemos fazer para não perdê-lo desejando que ele floresça para ser perene. Ele já é, Benjamin. Será para ti, se senti-lo como eu sinto.
- Está tentando me ensinar uma lição que não estou pronto para aprender.
- Eu sei, estou plantando as sementes.


[...]Naiane Julie

domingo, 6 de junho de 2010

Me disseram outro dia que não me apoio em algo que me sustente, então quando abalada uma de minhas colunas, logo sinto a vibração e desestruturo. Foi bom ouvir isso, costumo gostar quando me atingem e dói, porque é através da dor que crescemos. Aquilo que nos fere é aquilo que nos ensina, disse Benjamim Franklin. Parei para pensar no que me sustenta, e descobri alguns vácuos. Porém, para me ver através de outros olhos, que não os meus, passei essa informação adiante. Obtive afirmações bem diferentes, poderia dizer bem divergentes, no entanto depedentes, "dos olhos de quem vê", até onde esses olhos são capazes de enxergar, até onde querem enxergar e é claro, até onde permito que enxerguem. Fascinante! Assim, graças as contundentes palavras que recebí, meditei em muitas coisas e posso dizer... encerrei um capítulo.

Me espere até amanhã

Eu vejo tipos de amor rodopiarem mundo afora
e o meu florescer sem regá-lo como cactus de nossa flora

Tão poucos os minutos
exíguo o tempo foi
Mas ele não ordena o que posso sentir
e ele não condena o que posso pedir:
- Me espere até amanhã!

Eu posso esperar, eu posso persistir
Posso porque a saudade
insiste em me conduzir
A um querer direcionado
aos teus olhos, a tua voz

Não vou racionalizar
mas devo equalizar:
- Me espere até amanhã!

Me espere em todo hoje
que existir pro amanhã chegar

Eu posso,
Eu quero,
Eu vou esperar.

Naiane Julie
[[dedicado]]

Labirintos


Quando eu amo a subversão
Labirintos contrapostos
reformulo- me em instantes
sem qualquer adequação
E me sinto transparente
com profundas transições
Qual palavra usaria
P'ra algo sem definições?
Como os sonhos são complexos
como a constância do Sol
Assim questiono a loucura
que vem do bem e do mal
A verdade como foco de luz
resguardo como parte do todo
Se esqueço de que máscara vestir
logo depois me reencontro.

Naiane Julie

Amor- poesia cego

Eu vou rimar
O seu sarcasmo com meu tédio,
fazer dança de palhaço, e amor- poesia cego
Eu vou sambar
no Mar de ondas férteis
sorrir para as sortes, que a esperança requisitar
Vou lançar a dúvida, estigmatizar as perguntas,
na tentativa de te ver se render
Vou irrefletir e inventar
e quase sem querer,
vou me queimar e me afogar.
Vou rever meus defeitos, limpar a vidraça, cantar a tristeza, sorrir para a dor
Vou me dar o troféu da arte de perder
escrever com o sentido que o mundo não quer ver
Eu vou selar como um segredo, esconder como um crime, imaginar a história
sentir como um perfume que invade, o involuntário reflexo da memória
Vou gostar se a vaga lembrança doer.
E depois de sacudir o baú empoeirado
Eu vou me lembrar, quando você se esquecer.

Naiane Julie