Veja também O mundo inteiro em:
http://naiane-julie2.blogspot.com

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O vôo da Mariposa



Quantos segredos podem existir numa única mente, num único coração?! Um segredo eu já sei, os focos de luz! Você só consegue olhar para as luzes, e vê tantas luzes! Mas agora estou do lado sem brilho, é certo que você já me viu do lado fulgurante em outras épocas...


Asas e luzes me lembram a estória de Ícaro. Seu pai disse que não deveria voar muito rente ao sol, pois o calor derreteria a cera, nem muito rente ao mar, pois a umidade deixaria as asas mais pesadas levando-o a cair no mar. Graças à enorme liberdade que a sensação de voar deu a Ícaro, este cruzou curiosamente o céu, mas durante o processo ele aproximou-se do sol, a cera de suas asas derreteu- se e Ìcaro caiu. Quando li essa estória há alguns anos, perguntava- me: Será que Ìcaro apenas desconsiderou um conselho? Ou a sensação que o vôo proporcionou valeu arriscar- se sem volta?

Os focos de luz atraem mariposas, assim como no sonho de Ìcaro, foi impossível não voar....voar mais alto e mais alto.... e mais...
E depois, ficava imaginando o coração de Ícaro quando estava próximo ao Sol, acelerado, exuberante, satisfeito....
Eu acredito mesmo que as Mariposas não se importam muito se a luz é de um poste, se a luz é de uma televisão, ou se a luz está no fim de um túnel distante e escuro, elas devem mesmo enxergar apenas a luz.

O que eu menos gosto das luzes é que elas convenientemente não permitem a mente refletir. Quando se deseja, precisa, objetiva a luz, não se pode fechar os olhos, então não se vê o império interior que temos... ele é escuro, mas não por ser ruím, mas porque a mente necessita de escuridão para se refazer.
Numa noite suburbana existem muitos focos de luz. Gosto especialmente de ver a cidade do alto, mas fico imaginando todas as vidas e sei que não pertenço a nenhuma delas...
Gostaria de entender as mariposas. São tão frágeis e determinadas... Gostaria de desejar uma luz, mas uma que o Sol não ofuscasse de manhã, e talvez ter umas asas ...  mas com uma cola melhor que cera.

Dedicado*

Naiane Julie

domingo, 12 de dezembro de 2010

DIZEM POR AI

Dizem por aí que esses olhos seus
Não sabem mais olhar
Se não forem para os meus


Dizem por ai que o nosso coração
Tem tudo pra mostrar
Tudo pra esperar
Dizem por ai que meus olhos brilham
Quando o seu cheiro invade o meu ar




Dizem por aí
Que eu varri meus sonhos
E agora só encontro
Abrigo nos teus braços


Dizem que eu sou louco
Que me deito aos sopros
Sua respiração
É minha canção de ninar


Dizem por ai
Que eu capturei o sol
Meu mundo gira no espaço
De tempo que dura esse laço
Intenso do seu abraço


Dizem que sou seu martírio
Sou as mudanças do seu mundo físico
Seu é meu céu
Nosso é o chão
Dizem que sofro quando não posso
Sentir as batidas
Do seu coração.


Dizem que eu peco
Quando me entrego
Que é insano
Que é invasão
Mas no espelho
Vejo seu rosto
Posto no encosto
Do meu próprio ser


Dizem que somos
Fato que estamos
E se é pra sempre
Eu vou dizer.


Naiane Julie

domingo, 28 de novembro de 2010

Sinônimo de liberdade


 Confundimos a liberdade de tal forma, que ela vira o sinônimo do que na verdade é antônimo. Ainda que falemos em liberdade individual, temos algo em comum: "estamos condenados à liberdade" e cada vez que querenos fugir da liberdade, nos enjaulamos, ficamos à mercê das garras do nosso próprio ego indefeso e insatisfeito. Um pouco da liberdade está nas perguntas. Não existe liberdade na busca incessante, nem sempre as perguntas tem respostas imediatas.


Sartre: Somos livres para sermos qualquer coisa, exceto não livres.

Naiane Julie

quinta-feira, 25 de novembro de 2010



CADA UM GRITA DO JEITO QUE PODE

Pintura expressionista do artista Edvard Munch: O Grito

 Porque há o direito ao grito. Então eu grito... (Clarice Lispector)

CLARICE E EU


"Nesse momento minha inspiração dói em todo o meu corpo. Mais um instante e ela precisará ser mais do que uma inspiração. E em vez dessa felicidade asfixiante, como um excesso de ar, sentirei nítida a impotência de ter mais do que uma inspiração, de ultrapassá-la, de possuir a própria coisa - e ser realmente uma estrela. Aonde leva a loucura, a loucura."

Clarice Lispector

sábado, 6 de novembro de 2010

Paciência II


Não queria
Olhar e ver os opostos
Que instigam curiosidade
A vontade de estar
Grudada no travesseiro
No certeiro desse anseio
 Respirando o seu ar

  
 Só queria
 Ligar – me no futuro
 De uma forma tão presente
 Que fizesse desse tempo
 Fumaça pra sufocar

 E seria
 Toda espécie de vivência
 Que aspiro nesse instante
 Meu impulso nobre e certo
- Infinitamente estar.

A ampulheta não me priva
Também caio em cada grão
Dessa areia- esperança
Faz- me então suporte e dom
- Paciência.



Naiane Julie

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O som da vida é um blues




A vida é um som de blues

A vida é um sonho azul

Percute como a água no copo de cristal

Perfume de flor branca, fortaleza surreal



Sorriso de boneca

sentido convergente

São passos no abismo

Vida solta e displicente



Ou pode ser sentida

Ao som das cordas fortes

Do sopro colocado

No tom que o comporte



Venham bons ouvidos!

Sabe- se que no poente

Existe a marca d’água

Serpenteando nossos dias

Luzindo em despedida

- A vida.



Naiane Julie

22.10.10

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"Meu tempo é quando"


Quando eu quis respirar o ar insólito do seu pulmão
e registrar na memória a ambiguidade que a esperança destruía
esperei até quando você pudesse enxergar, sem nunca mais desviar o olhar
E o tempo- essa medida arbitrária da duração das coisas -
me fez de estopa, divergindo com a vontade.
E esse engano prudente, deliberado, serpente,
retraía meu juízo, apoiava inversamente
meu desejo enquanto são.

Quando encostei os meus dedos, quando eu soube da textura
quando o meu medo dissipou- se, nessa figura amor- loucura
Quando eu pisei fora da estória... a história... como dias de Sol
trouxe- me uma luz nova.

E quando eu souber se é mágica extravagante ou fato enternecido
quando eu encostar bem perto meus olhos e ouvidos
quando estiver disposto, resignado, harmonioso..
e... quando .....
o quando for ontem... e hoje... e sempre

"Meu tempo é quando".



Naiane Julie 12/10/2010

(A frase "Meu tempo é quando" é parte de uma poesia do Vinícius de Moraes, é uma frase tão interessante que destaquei nessa poesia)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ventos do Norte

A instabilidade da vida dói, mas também salva,
porque eu sei que quando os ventos do Norte soprarem ao contrário eu quero ir de encontro ao vento...
é mais seguro
forças voltadas para a luta. Se ele te pega desprevenido, talvez de costas, você vai pro Sul, para as pontas dos oceanos e pode encontrar águas turbulentas, rostos imprecisos, desmelodias tidas como doces pela maioria, você vai.... pra onde o vento soprar.... e talvez nunca mais volte.




Naiane Julie (DD)

Eu te amo

             Ela entrou devagar enquanto ele dormia, olhou para ele enquanto a respiração estava fraca e os sonhos fantasiavam mil estórias. Ela foi na ponta dos pés até a estante, pegou a agenda que guardava e escreveu: Amar é ter prazer até mesmo em ver a pessoa amada dormindo, serenamente. O significado está neste pequeno ato trazer uma satisfação imensurável, paz e gratidão.

            Ele escreveu uma carta longa e cansativa, dizendo todas as palavras mais doces e belas que encontrou, mas ela leu correndo, esperando as últimas, as que diziam tudo.

          Ela foi conhecer a pirâmide de Quéops, o Farol de Alexandria, os jardins suspensos da Babilônia, a estátua de Zeus em Olímpia, o templo de Ártemis em Éfeso, o mausoléu de Halicarnasso, o Colosso de Rodes.  Então, voltou pra casa e percebeu... nenhum lugar e nenhuma beleza é tão deleitosa se não for  compartilhada com a pessoa que te torna completo.

        Sem idealizações - ou com idealizações (?) - , sem conto de fadas, mas talvez com príncipe encantado, não sei o que buscamos dentro destas letras confusamente maiores em peso que em número. Mas, a busca existe,  a busca das palavras que tem a melhor e mais significativa forma: Eu te amo.
   
      Uma vez ouvidas, elas batem em qualquer canto nunca explorado, é sempre como se fosse a primeira vez ouvida, e esse lugar inóspito e escuro, toma cor, fôlego e compasso, começa a dançar a dança infinita e perdida no palco
... a dança não precisa parar....


    

Naiane Julie

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A virtude do real - Intermitente


















Não acredito. A humanidade desatinou- se.  A TV é a trégua. Quando escrevo sobre sonhos, quando falo de fantasia, nunca é só fantasia, tem algo de muito real nos meus sonhos. Mas espero um dia, ter a capacidade de falar do real de maneira real, com palavras reais e objetivas. E vou fazer perguntas, para que cada um leia em si mesmo a amplitude que permite que sua mente alcance. Eu não posso falar do real sem que em cada ser exista a verdadeira virtude do real. Eu sei, já estou a fantasiar....

Naiane Julie

sábado, 2 de outubro de 2010

Canção da Terra

Quando ouvimos falar dos problemas de nosso planeta, já não surte qualquer efeito em nós. Ouvimos as palavras “desmatamento”, “efeito estufa”, “sustentabilidade”, “exploração amazônica”, etc etc, como se ouvíssemos nosso vizinho comentar da febre da cunhada da sua tia. O chão que nós pisamos é o mesmo chão que está sendo queimado, quebrado, destruído, esmigalhado. Não conseguimos nos ver como parte disso, porque POR ENQUANTO não sofremos consequências tão diretas.


E existem políticas! A mais nova: Carta da Terra. Ela contém princípios muito bonitos, que 90% das pessoas que conheço nunca ouviram falar.

A natureza é uma questão de sensibilidade, valores, respeito pela vida. Isso é mais do que as políticas humanas têm conseguido impor. Punir talvez, em alguns momentos, ajude. Mas aqui vai um pedido, não meu, do nosso planeta, através da arte e talvez essa consiga atingir os corações mais do que as palavras efeito estufa


Veja:

                                 video
Canção da Terra     Michael Jackson


O que aconteceu com o nascer do sol?
O que aconteceu com a chuva?
O que aconteceu com todas as coisas,
Que você disse que iríamos ganhar?

O que aconteceu com todas as coisas,
Que você disse que eram nossas?
Você já parou para pensar em
Todo o sangue derramado antes de nós?
Você já parou para pensar que
A Terra e os mares estão chorando?
O que fizemos para o mundo?
Olhe o que fizemos.
O que aconteceu com toda a paz?
Que você prometeu a seu único filho?
O que aconteceu com os campos floridos?
Essa é a hora.
O que aconteceu com todos os sonhos
Que você disse serem nossos?
A Terra e os mares estão chorando?

(...)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Paciência

Eu sei que algo de bom nos aguarda, algum mistério inerente à vida, a felicidade e sua linha tênue, a paz que as noites claras nos trará.
Eu sei que algo excelente nos espera, não por estar escrito e sabido, mas por estar em nossos horizontes, quando olhamos com desejo de que a vida seja maravilhosa.... e ela já é.

Naiane Julie  (DD)


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dois elementos



Seu abraço congela- me
não de frio, nem de falta, mas de excesso de calor
congela de tal modo, que não sei o que passou.
Congela pensamentos, congela e eterniza
enquanto só consigo, sentir a suave brisa.
Tenho medo dessa força e do vício que a acompanha
Medo que quando não esteja, toda noite seja estranha
Que depois de subir essa tão alta montanha
Queira perder- me, sem vontade de descer
Tenho medo desse sopro, desse fôlego que traz...
Esse êxtase infinito que só você me faz
Medo de amanhecer e descobrir- me sem paz
Por não sentir seu cheiro e não saber
como ficar sem ele mais.


Naiane Julie (DD)




domingo, 19 de setembro de 2010

Veste prata, iluminada

Se eu brinco de ser feliz não é porque não seja.
Mas é porque a felicidade existe pra ser usada. Não dá pra esperar ela transformar minha alma pro meu corpo reagir e minhas atitudes refletirem a mudança. Isso é utópico.
Ela é uma roupa que deve ser vestida. Ela é um jardim que deve ser cultivado.
Quando eu acordo de manhã lembro de escovar os dentes, tomar banho, me vestir. Mas, as peças fundamentais quase esqueço e deixo em casa. Ninguém olha pra você e pergunta: Cadê a felicidade, perdeu em alguma esquina? Mas perguntam: Pegou os documentos do carro, as chaves? a carteira? ....  Decerto o mundo é mesmo pouco humorado.

Eu não ligo, porque ninguém pode me roubar essa veste prata e iluminada, ela fica ao meu dispor, basta apenas eu vestir..........

Naiane Julie

Olho por olho deixa o mundo cego




Ele me causou uma dor profunda e eu não falei.
Eu não contei para os meus amigos, eu não escrevi em nenhum cantinho da agenda, eu não conversei com o meu cachorro, nem confessei para as paredes. A dor me fez engolir sem mastigar, foi fundo na minha fraqueza. Sempre as fraquezas...
O meu medo, a minha angústia é problema meu, mas agora, é problema dele, porque a mágoa é como a criança que cai no buraco do chão, o buraco é a fraqueza.
Não posso evitar o medo, só me resta demostrá- lo em outra ocasião conveniente, quando ele estiver frágil, quando estiver com o coração aberto, eu vou ferí-lo e ver sangrar, eu vou ver seus olhinhos apertarem - se nos cantos e a máscara social cair.
Não farei isso porque quero seu mal, eu vou fazer isso porque é "olho por olho"....  somos "olho por olho". Quando eu sentir que dói nele a intensidade da dor que ele fez doer em mim, mesmo sem que soubesse, e ouvir ele falar que eu não tinha motivo para aquela atitude, vou me sentir cega.
As fraquezas nos cegam... o medo nos revela.

Eu só quero o dom de conhecer- me a ponto de saber que sou eu.. e não ele. Quando o erro é meu- das minhas fraquezas- e não dele.
Eu só quero lembrar, que "olho por olho" deixa o mundo cego...


Naiane Julie

domingo, 12 de setembro de 2010

Colunas de Areia




Distrações
e o dia passa...
coisas "importantes"
Coisas ""... pessoas ""... coisas "" pessoas ""...
Quero minhas colunas feitas de material resistente
sustentar- me no que é superior
Há algo superior às relações humanas: a relação com Deus
com a natureza
com a arte
com nosso interior
Primeiro, vou sustentar- me nisto. Conhecer meu corpo, minha identidade
e depois ficará fácil ter relações sociais sadias.

Minhas colunas precisam ser fortes
menos ansiedade, mais intensidade

Tudo de material e aparente que não preciso ter
é prova do quanto forte sou interiormente
o quanto rica sou espiritualmente
o quanto leve, mentalmente

Do pouco que sei, resgato
"o império do homem é interior".


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Utopia de delírios


Essa é terra dos meus sonhos
a utopia dos meus delírios
a desvirtude dos meus desejos
e a essência do meu impulso.
Esse é o medo, o melhor medo
que me revela enquanto engano
a mim e a outros com as palavras
com o eufemismo da poesia.
E é o Sol
quando viajo
em lembranças de um rio constante
as lembranças me fazem e desfazem
pouco poder detenho sobre elas.
Mas sei que é o tempo que me invade
seja ele a medida que o mundo dá
sei que é o tempo que me sustenta
na inexperiência quando eu pisar.
Eu tenho medo dos precipícios
de não voltar a epiderme
essa vertigem semi- insensata
essa alegria nunca eterna.

Naiane Julie
10/09/2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Na natureza selvagem (Filme)




Indico o filme NA NATUREZA SELVAGEM.
Este vídeo faz uma associação interessante com um trecho de Nietzsche.

sábado, 14 de agosto de 2010

Sem ensaios


Vamos festejar
a paz que pode existir
Não observada, mas muito almejada
Dom enobrecido (de corações puros)
Peito em equilibrio, mente em alívio.

Vamos festejar
Quando o vento sopra, quando o Sol arde
Quando uma folha cai no chão, pra isso nunca é tarde
Quando enxergamos, o visível e o invisível
Quando não se nega que tudo é possível

Mas vamos, vamos festejar!
Que hoje, que esse instante, é único e impreciso
Pois está à mercê
de cada rabisco nosso
Está branco, sem escrita
Sem desenho e sem cor
As cortinas vão se abrir...

Então venha, venha festejar
A união quase extinta
Mas alimente esse sonho bom
A amizade quase aflita,
mas que ainda vence a imperfeição
E o amor! Este é o clímax
Basta pra isso... dar a mão.

Naiane Julie

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O "Delicado Essencial"


"Um guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez desafiou um mestre zen a explicar o conceito de céu e inferno. Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:
- Não passas de um grosseiro... Não vou desperdiçar meu tempo com gente da tua laia!
Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando a espada da bainha, berrou:
- Eu poderia te matar por tua impertinência.
- Isso - respondeu calmamente o monge - é o inferno.
Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge a revelação.
E isso - disse o monge - é o céu. "

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Petis



Se petis significa pequenina... pode até ser. Mas pra mim, a imagem que vem a mente é de um gatinho ronronando quando o dono coça a barriga e o pescoço, e cura a tristeza do dono: momentameamente. Mas é um bom negócio ter um gatinho pra curar a tristeza, pra ouvir o barulho que faz quando sente carinho. Acho que esse ruído amortece até o maior embrutecimento que existe, é o som oco da alma de um ser que não entende, mas sente, e isso, basta. Quanto mais penso nisso, mais percebo que petis é isso, não é o gato em si, nem uma menininha assoprando um dente de leão e fazendo o pedido mais gracioso do mundo, nem é um passarinho alimentando um filhote faminto, ou qualquer outra coisa do tipo, não, petis é só esse som, só ele e nada mais. Mas é ele que alegra, o dono sabe que não precisa de muito pra ouvi-lo, só estar perto. E depois de pensar nisso, cheguei em casa, e o gato branco da minha irmã passou pelas minhas pernas e ficou ronronando....

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Um sonho de criança



Desde criança tenho um sonho, que eventualmente vem me visitar. Nele estou num penhasco de braços abertos, só se vê o céu, árvores, verde e azul. Olho para baixo, respiro fundo... e me jogo. Pouco antes de chegar ao chão, meu corpo emerge do vazio, como um vento me puxando, subo em uma altura assustadora, mas não pra um sonho, por isso, não me assusto. Desvio das árvores e depois, passo por entre as nuvens. Poderia ignorá- lo se ele vez por outra não acontecesse de novo. É sempre o mesmo lugar, sempre o mesmo sonho. Ele me importa por ser inspirador. E eu penso que é bom ter um sonho de criança me acompanhando, me faz lembrar da fragilidade que todos nós temos. É frágil ser um adulto com um sonho de criança.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Morrer não dói?


E com o passar dos dias fica mais fácil compreender. Mas a amizade é algo muito forte, especialmente quando acontece desde criança. Nos sentimos um pouco responsáveis pelas ações do outro. Como se tivéssemos a obrigação de salvar um amigo do abismo, o dever de fazê- lo ver os limites da "felicidade e do abismo". Mas você mesma disse: pensamos diferente sobre o que é felicidade. E quando disse que se sentia como uma borboleta que arrancaram as asas, a resposta da Rê tinha a ver com uma decisão um tanto óbvia. A escolha é viver sem asas com a possibilidade de viver para sempre, ou aceitar que uma borboleta vive apenas 24 horas, ela encanta mas por tão pouco tempo! Ela pode voar longe, mas esse pouco tempo limita qualquer sonho a longo prazo. E estes sonhos que temos tão visíveis, são temporários.


E o Cazuza dizia: "A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."

Bom, se você estiver decidido, de fato, morrer não dói. Se a causa da morte for tão válida que supere o medo, realmente, morrer não dói. Mas se tudo isso for só ser marionete de sentimentos insensatos, ah! então morrer (em algum momento) ... dói demais.

domingo, 1 de agosto de 2010

Se eu pudesse


Se eu pudesse destrinchar os universos
e dizer ao que é reverso:
- Me encaminhe a uma só luz!

Se eu pudesse resistir a tantos versos
esquecer o que é incerto
e sozinho se produz

Eu seria o mesmo ser que tanto vejo
Também com medos e desejos
E quem sabe alguma dor

Mas longe estaria de tantos precipícios
Constantemente a correr riscos
Sem entender qual o valor

Se eu aprendesse a caminhar com a humanidade
Estar alheio a boa vontade
Imune ao medo do amor

Seria olhos mais fechados
Coração menos dilacerado
Mas incompleto no final

Se eu pudesse talvez escolhesse
Exatamente igual.

Naiane Julie - 2007

Faz parte do show (Parte I)




Eu tentei mergulhar num profundo silêncio para ver se a verdade emergia. È um estado fascinante esse. Eu sinto alguma coisa correndo, não como parte, mas como o todo, como se fosse tudo que eu sou. E é tão intenso e bom e ruim, e o inferno e o céu, e a cura e a destruição, e a dor e a dor e a dor. Porque é mero estado, eu sei, mas é o mais marcante e esclarecedor, meus olhos abrem, e esse é o preço de abrir mão da esperança constante da qual queremos acreditar. Eu sei que existem respostas! Mas o show da vida é assim. È aceitar ser atingido ou não, crescer ou não. A única coisa que desejo hoje é uma resposta verdadeira. Uma única resposta que una a verdade e uma boa notícia. O amor pode acontecer e ser puro? A vida pode ser mais clara e fácil? Eu posso viver do meu modo e não ouvir nenhuma palavra de desaconselhamento? Eu posso? Eu posso? É eu posso. Eu devo? Se estiver disposta a romper com valores desnecessários, se estiver disposta a morrer para ver a vida com outros olhos. O que eu quero é pouco, é interno, é abstrato, é tudo de mais subjetivo que já existiu. E existiu onde? Em vagas menções de algumas pessoas que permitiram. Mas quase nenhuma delas soube explorar sem quase morrer. Eu quero viver! Mas quero uma lembrança melhor que essas tão sujas palavras, que essa imperfeição, esse cansaço. Eu quero lavar a alma, mas as águas são sujas. Ah! E isso, essa revolta, também, eu sei, faz parte do show....

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um grito



Então, é isso. A ilusão é duradoura, a esperança o mal necessário, a cura é o que alguns consideram loucura, ou são indiferentes. Escrevo para meu ganho. Tranquilidade fundada em movimentos leves e falhos. A civilização que ensina a guerra, tem seus passos ternos de atenção a poesia, em qual parte do coração cabe essa fraqueza?
Eu quero não ser densa, quero escrever para quem lê, mas meu impulso é rasgar a folha, cuspir palavras ao vento, escrever com os quatro elementos. Deixar o fogo queimar, usar a água pra afogar. Chamem de insutileza, xinguem de insanidade, falem negativamente, gritem em minha face. E quanto mais insatisfação verei em alguns olhos, tanto mais imaginação sairão dos meus poros, lágrimas, sangue. Esse desejo de trair o mundo, como ele trai. Pois quando se escreve com sangue, não se pode apagar.

Naiane Julie

Medindo o horizonte


Existe uma hora do dia especialmente importante. É quando o Sol nos avisa que vai mandar o dia terminar. Ele não se pôs ainda, mas suavemente se coloca no lugar perfeito, como se estivesse caindo do horizonte e ao mesmo tempo, parece tão próximo.
Essa hora é tal como um ensaio. O dia nos ensina a sentir o fim de algo, de um dia. E, mesmo sabendo que haverá uma amanhã, não temos total certeza disso. Aprendemos que os planos podem não sair exatamente assim... aprendemos que nem sempre, o fim é ruím. Eu aprendo, nesse momento, que o céu também cura... só assim... medindo o horizonte....

Naiane Julie
30/07/10

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ainda não

Preciso escrever mas não consegui assimilar. Parece que minha mente bloqueou a idéia. E fica mastigando, não engole. Fica atrapalhando meus momentos. Ela fica cutucando, insistindo, mas não quero me salvar dela agora, ainda não quero me curar dela. Quero essa pedra, porque não quero me despedir. Deveria?

quarta-feira, 21 de julho de 2010

[...]

- Annita...diz palavras que não vive. Diz palavras que nem sequer entende. Se tivesse encontrado essa realização não estaria aqui comigo. Ademais, o que quer dizer me soa como acomodar- se, aceitar, fechar os olhos. Eu sou isso. Viver uma fantasia me sufocaria, eu já tentei acredite. A investigação do meu próprio ser é o que me mantém viva ainda, se o desespero for o preço, estou pagando. Eu só quero mudar em cada lua cheia.

-E se você nunca parar?
Sarah olhou para os pés, para a janela e suspirou.
-Alguém me parará.

[...]


Naiane Julie

quinta-feira, 8 de julho de 2010

É mais (Parte I)

Buscamos sempre alguma coisa num beijo. Buscamos, sabendo que ela é indefinível. Sabendo que é transcedental, que não dura muito em tempo, mas é infinitamente intensa. Essa busca não é lógica, não é ganha por um preço. É espontânea e até irracional. Mas é parte de uma resposta para perguntas racionais. Porque somos medo e desejo. Porque somos a tensão tola. A resignação falsa. A tentativa fiel.
E isso tudo se resume num momento que transporta e une energia. É preciso recarregar a alma.

Naiane Julie

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo" (Pessoa)

Estou reunindo sonhos...
os mais diversos, loucos, simples, poderosos...
são mais diversos que os livros que quero ler.. são mais simples que sentir nas pontas dos dedos a pele de quem faz meu coração bater mais forte, mais loucos que inexistir numa ilha por uns meses, mais poderosos que a energia que movimenta as palavras ditas, pensadas, escritas..
São alvos. Porque os poetas precisam sentir dor para expressar- se?
Vamos reverter a órbita da loucura. E, quem sabe, a felicidade não esteja à espreita de quem sente (também alegria intensa), se revestindo com a alma.

Naiane Julie

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Não existe amor perfeito

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

(Clarice Lispector)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Razão

Tentei muitas vezes desaprender a ilusão. Essa profunda reviravolta no meu peito, que invade recônditos lugares, em que chega apenas essa espécie de ar subjetivo, esse mundo- sonho em que me agarro. Eu inspiro e me inspiro. Fecho os olhos e é tudo um milagre. O amor o maior deles. Se eu soubesse demonstrá- lo puro e intenso como o sinto!... Me disseram e acredito, a razão é sábia e forte. Meu esforço é agarrá- la, e eu me esforço, é preciso. Ela não dói, é independente, decisiva, é atitude. E apesar de sua força, eu escolho atenuá- la. Assim dói, me flexiono, exito e erro no não ou no sim. Mas, no final, com equilíbio, tenho da dor o melhor aprendizado; da flexibilidade, as melhores experiências; do exagero, as melhores emoções. Razão exista, mas não domine por completo os corações.

Naiane Julie

O Sonho (Parte I)

Quero a sua presença assim como quero um sonho
mas é tão próximo da realidade ter, sem medidas, seu abraço
que fico a acelerar a roda que movimenta nossos passos
a ampulheta que define, todo dia, esse espaço
são apenas formas sólidas, o que eu sinto é sem obstáculos.
É um sonho em que eu toco
é um sonho em que eu acordo
É o sonho que eu quero
sonhar acordada sem limites.

Naiane Julie

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Pra você guardei o amor

Eu me desconcentro. Finjo que é sem querer. Direciono todas as minhas idéias e planos, mas às vezes apenas vagueio sem pressa na sua imagem, sonhando acordada, acidentalmente motivada, com um sentimento que não cabe em mim e que quer se expandir. Me pego assim, escrevendo algumas palavras repetidas, mas que descrevem melhor que quaisquer outras, a dimensão da energia que me invade. Dizem que isso tudo é doce ilusão, quem sabe, mas não me importo, só quero me permitir sentir completamente, até me encher, me transbordar e, quando sobrar farei isso: escreverei.
E se de fato mudar de cor, sei que a essência ainda e sempre será lilás.

sábado, 12 de junho de 2010

As Horas

O tempo é um mistério inserido em minutos, horas, dias, anos. Como descreveria o tempo ao seu lado? Parece ser infinito e mesmo assim, o tempo diz... são horas. E o que são horas? A forma de impedir sua presença, a forma de mensurar a sua ausência, a forma disciplinar que inventamos para metódicos, transformar em palpável o que é trascedental? Ainda não compreendí ao certo... mas o tempo diz... são horas. E as horas nunca deixarão de existir, e eu, nunca deixarei de tentar compreender, quantas horas poderei roubar do tempo, quantas armadilhas usarei para enganá-lo, para usá-lo a meu favor. Vou implorar, desejar as horas, mas ignorá-las quando estiver ao seu lado. E já que "sempre haverá as horas", espero que sempre haja amor.


"Sempre havé os anos, o amor, as pessoas, as horas. E, é claro, sempre haverá mais." (The Hours)

Naiane Julie [12/06/2010- DEDICADO]

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Névoa

[[Início, sem continuidade até o momento]]

Enquanto o vento soprava embrutecido no jardim de casa e fazia as árvores dançarem na penumbra do início da noite, eu observava calmamente pela janela, fixada em cada vai- e- vem, em cada folha exígua que caía na terra seca. Meu pai me observava na porta da sala, eu sabia. Mas entendo apenas hoje porque ele ficava parado, quase imóvel, me examinando. Porque eu não me parecia com ele, também não lembrava em nada a mamãe. Eu era sobretudo, ele dizia, como "um sonho de uma noite de verão", que eu era a "própria poesia". Imagino que ele quisesse expressar minha abstração, profundidade, mas ele é que demonstrava sensibilidade em usar palavras tão delicadas. Eu tinha aflorada uma espécie de gratuidade, me doava sempre sem desejar nada em troca. Mas, quando ele se foi, isso mudou um pouco. Senti que tinham me roubado e não quis me doar mais. Aos doze anos meu intuito passou a ser encontrar em alguém a pessoa que eu perdí e poder lhe perguntar muitas coisas, porque ele sabia quem eu era mais do que eu.

[...??? a idéia está completa, só falta tempo para escrever- Arte x Tempo, Capitalismo x Arte......ahhhhhhhh]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Trecho

[...]
"Viver de morte, morrer de vida" (Heráclito)

Trato de desmistificar todas as ausências dos momentos que nunca vivi, dos seres que sou e os que fui capaz de matar para que outro pudesse viver.
Deixo- me viver! Mas a vida é inerente à morte, e esta última precisa ser constante, para que a vida possa a sobrepor.
Todo acúmulo dos fragmentos, fios pequenos, finos, escassos vestígios resquiciosos que transmutam meu ser imperfeito, pequeno, transbordante na busca da plenitude, apenas de sentir, que seja por mínimas vezes, aquilo que não tem, que não é. A inteireza, perfeição.
Somente a reversão constante, a volta, a ida, traz fôlego, pulsação, vida. Apenas o ato fanático e nada comum, de transpor a alma em um inanimado papel ignorante, silencioso. E que ele grite! E que ele urre! Que ele me fale o que eu preciso desconhecer para entender. Que ele me bata, que me flagele, confunda, distorça, me quebre em mil. Porque depois haverá toque, do ser interno que pulula rompendo meu peito, com o exterior, um mundo ingrato, mas como eu, imperfeito.

[...]

Naiane Julie

A HISTÓRIA DE UM SONHO (Trecho)


[...]

Ele entendeu. Vendo- a rebaixada pela natureza simplória e mortal mas tão reerguida pela transcendência de seu ser, tudo ficou claro. Ainda conversavam.
- Vê as cadeiras? Meus pais vieram me visitar hoje. Estão na cidade. Pedi que fossem dar uma volta para conversarmos. Eles te conhecem Benjamin, conhecem muito bem.
- Existe algo em você que não resista? – Ele olhava para baixo quando interrompeu a conversa.
- Não estou resistindo, Benjamin. Não compreende porque não está em meu lugar. Não consigo sentir mais a tristeza que pensas que deveria sentir, eu já a ultrapassei. Mas não pense que lutei contra ela. Não. O processo foi natural. E veja, eu conheci você, basta para mim.
- Para mim não.
- Não deixes a arte confundir- te com ansiedade. Ser muito não significa conseguir demonstrar tudo numa vida. Entende a contradição? Querer expandir o tempo é um erro. Sinta- o, é só o que de melhor podemos fazer para não perdê-lo desejando que ele floresça para ser perene. Ele já é, Benjamin. Será para ti, se senti-lo como eu sinto.
- Está tentando me ensinar uma lição que não estou pronto para aprender.
- Eu sei, estou plantando as sementes.


[...]Naiane Julie

domingo, 6 de junho de 2010

Me disseram outro dia que não me apoio em algo que me sustente, então quando abalada uma de minhas colunas, logo sinto a vibração e desestruturo. Foi bom ouvir isso, costumo gostar quando me atingem e dói, porque é através da dor que crescemos. Aquilo que nos fere é aquilo que nos ensina, disse Benjamim Franklin. Parei para pensar no que me sustenta, e descobri alguns vácuos. Porém, para me ver através de outros olhos, que não os meus, passei essa informação adiante. Obtive afirmações bem diferentes, poderia dizer bem divergentes, no entanto depedentes, "dos olhos de quem vê", até onde esses olhos são capazes de enxergar, até onde querem enxergar e é claro, até onde permito que enxerguem. Fascinante! Assim, graças as contundentes palavras que recebí, meditei em muitas coisas e posso dizer... encerrei um capítulo.

Me espere até amanhã

Eu vejo tipos de amor rodopiarem mundo afora
e o meu florescer sem regá-lo como cactus de nossa flora

Tão poucos os minutos
exíguo o tempo foi
Mas ele não ordena o que posso sentir
e ele não condena o que posso pedir:
- Me espere até amanhã!

Eu posso esperar, eu posso persistir
Posso porque a saudade
insiste em me conduzir
A um querer direcionado
aos teus olhos, a tua voz

Não vou racionalizar
mas devo equalizar:
- Me espere até amanhã!

Me espere em todo hoje
que existir pro amanhã chegar

Eu posso,
Eu quero,
Eu vou esperar.

Naiane Julie
[[dedicado]]

Labirintos


Quando eu amo a subversão
Labirintos contrapostos
reformulo- me em instantes
sem qualquer adequação
E me sinto transparente
com profundas transições
Qual palavra usaria
P'ra algo sem definições?
Como os sonhos são complexos
como a constância do Sol
Assim questiono a loucura
que vem do bem e do mal
A verdade como foco de luz
resguardo como parte do todo
Se esqueço de que máscara vestir
logo depois me reencontro.

Naiane Julie

Amor- poesia cego

Eu vou rimar
O seu sarcasmo com meu tédio,
fazer dança de palhaço, e amor- poesia cego
Eu vou sambar
no Mar de ondas férteis
sorrir para as sortes, que a esperança requisitar
Vou lançar a dúvida, estigmatizar as perguntas,
na tentativa de te ver se render
Vou irrefletir e inventar
e quase sem querer,
vou me queimar e me afogar.
Vou rever meus defeitos, limpar a vidraça, cantar a tristeza, sorrir para a dor
Vou me dar o troféu da arte de perder
escrever com o sentido que o mundo não quer ver
Eu vou selar como um segredo, esconder como um crime, imaginar a história
sentir como um perfume que invade, o involuntário reflexo da memória
Vou gostar se a vaga lembrança doer.
E depois de sacudir o baú empoeirado
Eu vou me lembrar, quando você se esquecer.

Naiane Julie